Apresentação e História

por mateus publicado 04/07/2016 08h44, última modificação 11/05/2017 15h38

A Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba teve início em julho de 1977, ainda quando estava vinculada ao Centro de Ciências Sociais Aplicadas - CCSA, com o Curso de Mestrado em Educação, originado como Educação Permanente, com área de concentração em Educação de Adultos. Incentivado por agências internacionais de fomento, entre as quais a UNESCO, o curso situava-se no quadro das várias interpretações e ambiguidades que circulavam o conceito de Educação Permanente.

Ao mesmo tempo, respondia as preocupações das políticas governamentais voltadas à Educação de Adultos, prioridade político-educativa do governo, nos anos de 1970, considerada uma das "alternativas" e "proposta de solução" para integrar o indivíduo ao projeto de modernidade social em implantação no país. Desde então, o Mestrado se inseria, através da sua área de concentração, no contexto das prioridades sócio-culturais, educativas e econômicas do país e, em especial, da região Nordeste. Os avanços sociais pressionaram no sentido de que o conceito de Educação Permanente fosse ampliado e interpretado tanto como "um processo contínuo do desenvolvimento individual, quanto um princípio de organização de um sistema global de formação" ou como "uma estratégia de formação em função do desenvolvimento cultural".

 A Pós-Graduação em Educação da UFPB, em suas propostas, incluía-se nas três interpretações, alargando-as, ao mesmo tempo em que buscava definir sua identidade, questionando qual a educação de adultos a ser priorizada, qual o indivíduo adulto que necessitava de maior escolaridade e a quem se destinariam os estudos, pesquisas e trabalhos de extensão do curso. Ainda em 1978, o curso sofreu uma reformulação em sua primeira identidade "nominal," passando a ser concebido como Mestrado em Educação, segundo a Resolução do CONSEPE Nº 55/1978, mantendo a Educação de Adultos como área de concentração.

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         Primeira defesa de dissertação realizada em 1979. Maria Bernadete Silveira de Andrade. Orientadora: Prof.ª Drª. Geraldina Porto Witter. 

Na década de 1980 surge um novo enfoque envolvendo o substantivo adulto e seu processo educativo voltado para o "popular", que se sobressaía nos debates teóricos acadêmicos e nos movimentos sociais. Nesse contexto, novos debates propiciaram um redirecionamento e uma reformulação do curso de pós-graduação, que passa a ser oficialmente denominado Curso de Mestrado em Educação (CME), com área de concentração em Educação Popular e subáreas de Educação de Adultos e Educação Básica. Instaura-se, a partir de então, um curso que anuncia, na sua proposta formal, uma preocupação voltada a uma prática social comprometida com a educação dos setores sociais populares, incluindo-se os processos formais de escolaridade e os processos não-formais.

Em abril de 1993, o CME iniciou um processo de auto-avaliação com professores e alunos sobre a temática do curso e suas linhas de pesquisa, a problemática da pesquisa e questões operacionais, com o propósito de proceder a uma necessária reformulação curricular. No conjunto das suas preocupações teóricas e metodológicas, o CME passava a centralizar sua atenção no entendimento da Educação Popular, diante das diferentes concepções e enfoques que referenciavam este conceito.

Na seqüência, já em 1997, o CME fez uma nova avaliação visando qualificar, ainda mais, a relação com a educação dos setores populares, particularmente, nos movimentos sociais paraibanos e nordestinos, na educação de jovens e adultos, na educação básica e nas políticas públicas, destacando o olhar popular sobre os diferenciados processos educativos enfocados nas suas linhas de pesquisa. Como conseqüência dessa avaliação, o CME aprofundou suas mudanças, criando-se uma nova estrutura curricular condizente com uma nova organização do ensino, da pesquisa e da extensão. Definiu-se como um Programa de Pós-Graduação, que além do curso de Mestrado em Educação, encampou alguns cursos de especialização necessários à formação de quadros docentes e técnicos para educação e, sobretudo, continuou o processo de maior verticalização no trato com a pesquisa e a produção do conhecimento, vislumbrando-se a criação do doutoramento.

Esta estrutura curricular, estágio final de uma reforma iniciada em 1996 e 1997, consolidada no triênio 1998-2000, obteve alguns frutos destacáveis, especialmente quanto à ampliação da conceituação da educação popular - entendida como um campo de ensino-aprendizagem, pesquisa e extensão, que acolhe todos os processos educativos, envolvendo sujeitos das camadas populares. Tal empreitada permitiu, após ampla discussão interna, que fossem agregadas novas pesquisas e dissertações - com suas consequentes publicações - antes não trabalhadas por conta das limitações e restrições político-pedagógicas e conceituais. Neste sentido, por um lado, continuamos a investir em histórias, nas teorias e nas metodologias alternativas da educação de jovens e adultos, na educabilidade inerente aos movimentos sociais, nas políticas públicas da educação das camadas subalternas e nos processos que concentram suas forças na construção de uma escola pública popular. Por outro lado, houve uma concreta abertura no caminho das pesquisas sobre o ensino profissionalizante, sobre a atuação da universidade e sobre os novos paradigmas educacionais - entre vários outros temas anteriormente não priorizados.

A reconfiguração do nosso Programa foi acompanhada de uma teorização ampliada sobre Educação Popular, desenvolvida em concomitância e como consequência da intensa participação dos nossos docentes, pesquisadores e mestrandos em congressos, palestras, seminários, numerosas publicações (inclusive as de âmbito nacional), no EPENN (Encontro de Pesquisa do Norte e Nordeste) e na ANPEd (em cujos GTs correspondentes às nossas linhas de pesquisas temos tido intensa participação). No levantamento que fizemos sobre a participação dos nossos quadros na produção intelectual relativa às nossas linhas de pesquisa, notamos a forte presença nas produções de educação de jovens e adultos, educação e movimentos sociais e em educação.

Neste caminho, enfatizamos o cumprimento de um dos objetivos essenciais do nosso Programa, ou seja, a formação qualificada de 253 Mestres em Educação ao longo do período 1977-2001.

 Acrescente-se a esses dados a considerável diminuição do Tempo Médio de Titulação (para 26,8 meses) conforme os padrões recomendados pela CAPES. Estes resultados foram conseguidos em concomitância com o processo de qualificação dos quadros docente e de pesquisadores do Programa. Naquele momento o PPGE contava com 25 doutores permanentes e vários colaboradores, inclusive internacionais, sem contar que mais de 18 professores do Centro de Educação encontravam-se realizando doutoramento nas mais diversas Universidades do país e do exterior. 

   Um novo momento de nossa história: 
a criação do Curso de Doutorado 

Em reunião do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão - CONSEPE da Universidade Federal da Paraíba, realizada nos dias 14 e 15 de fevereiro de 2002 (Processo nº 23074.009128/01-15) foi alterado o nome do Curso de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, passando a se denominar Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, constituído dos Cursos de Mestrado e de Doutorado criados, respectivamente, pela Resolução nº 47/77 do CONSUNI e Resolução nº 09/2002 do CONSEPE, com a área de concentração: Educação Popular, Comunicação e Cultura e as cinco linhas de pesquisas, a seguir:

Fundamento e processos em educação popular; Educação de Jovens e Adultos; Políticas Públicas e Práticas Educativas; Educação e Movimentos Sociais, e  Estudos Culturais e Tecnologias de Informação e Comunicação.


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Solenidade de abertura do Curso de Doutorado realizada em março de 2002 
no  Auditório do Centro de Educação


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Primeira defesa de tese de Doutorado do PPGE, ocorrida em 24/06/2006. Dimas Lucena de Oliveira. Orientadora: Profª. Drª. Maria Deusa de Medeiros.

Em 2005, após a publicação pela CAPES, da FICHA DE AVALIAÇÃO DO PROGRAMA (Período de Avaliação: 2004/2006 – acompanhamento 2005, Ano Base 2004), que apontou, entre outros, problemas em relação à organicidade da proposta do programa, a dificuldade de adequação dos vínculos entre área de concentração, linhas de pesquisa, projetos e produtos. Preocupados com a avaliação que havíamos recebido, iniciamos um intenso e sistemático processo de discussão interna visando reestruturar a própria área de concentração bem como as respectivas linhas de pesquisa diante do significativo aumento de docentes doutores e pesquisadores.

Os procedimentos de discussão/avaliação efetivados levaram em consideração a profunda mudança de perfil acadêmico dos docentes que atualmente integram o programa em relação ao perfil existente na época de sua fundação e consolidação. O quadro de professores permanentes do Programa apresentava nova configuração e outras preocupações acadêmicas estavam em pauta, sem esquecer que a própria amplitude do campo da educação popular cresceu consideravelmente com a adoção de novas temáticas.

Considerou-se, também, o aumento do número de doutores credenciados no nosso Programa, cujas temáticas, mais diversas e plurais, extrapolam os limites teórico-metodológicos da investigação centrada nos processos de educação popular. O programa se configurava como um dos maiores do Brasil, com 41 doutores, cujas origens de formação em nível de graduação e de doutorado confirmam essa nova característica.

Outro aspecto significativamente observado foi o fato de uma nova demanda apresentada pela sociedade, isto é, os projetos que nos chegavam através dos processos seletivos eram minoritariamente sobre educação popular.

A discussão sobre a necessidade de reestruturar o Programa foi decorrente também de rigoroso processo de credenciamento e recredenciamento instalado em 2006 e concluído em 2007.

Portanto, mesmo avaliando que: (1) a evolução e as tendências do programa poderiam ser favorecidas pela própria conceituação ampliada que a educação popular adquiriu e que foi inerente às decorrências e aos avanços da crise de paradigmas que atingiu todo o campo das pesquisas educacionais,  e  (2) os limites teórico-metodológicos da definição do campo da educação popular pudessem ser ultrapassados na direção de uma amplitude que permitisse as pesquisas de novas temáticas e de novas reflexões, todas elas nuclearizadas pelas investigações de práticas educativas que têm como protagonistas os sujeitos individuais e coletivos das camadas populares; concluímos que a identidade do programa, materializada em sua área de concentração – Educação Popular, Comunicação e Cultura -, estava comprometida em função da nova configuração  dos interesses de pesquisa e da produção dos docentes.

Tal constatação nos colocou diante do seguinte problema: como conciliar a nossa tradição histórica no campo da educação popular com as novas configurações de temáticas de pesquisa e de produção intelectual dos docentes, face à diversidade de novos interesses?

Tendo este problema como norte para as nossas discussões, concluímos que não poderíamos mais continuar com a nossa atual área de concentração, que passou a ser denominada EDUCAÇÃO e que a nossa tradição no campo da educação popular poderia ser fortalecida se concentrássemos essa produção em uma das linhas de pesquisa: EDUCAÇÃO POPULAR, que passaria de forma orgânica e sistemática, a agregar toda a produção antes diluída em três linhas de pesquisa, a saber: Fundamentos e Processos da Educação Popular, Educação e Movimentos Sociais e Educação de Jovens e Adultos.

 Assim, sem engessar os interesses renovados de pesquisa numa área de concentração, mantivemos nossa tradição em pesquisa no campo da educação popular e redefinimos e redistribuímos os novos interesses em quatro outras linhas de pesquisa, quais sejam: História da Educação, Política Educacional, Processo de Ensino-aprendizagem e Estudos Culturais da Educação (Ver ementas no link Linhas de Pesquisa).

Fundamental destacar que essas novas temáticas de pesquisa dialogam com nossos pares acadêmicos regionais, nacionais e internacionais e as nossas participações, trabalhos e publicações em encontros, fóruns, congressos e reuniões científicas, a exemplo do EPENN, de vários GTs da ANPEd, bem como em inserções em Portugal, na Espanha, na Inglaterra, nos Estados Unidos, e no Canadá (para citar os mais frequentes) demonstram nossa profícua participação nos estudos e nas pesquisas que fortalecem o entrelaçamento da educação popular com a história da educação, as práticas educativas, as políticas públicas, e os estudos culturais.

O resultado deste debate levou-nos a elaborar uma nova estrutura para o nosso PPGE, que foi implementada no ano de 2007 (Resolução 52/2007 – CONSEPE).

Em 2017 o Programa de Pós-graduação em Educação completa 40 anos de atividades, mantendo a estrutura proposta na Resolução 52/207 do CONSEPE, embora esboçadas em uma nova Resolução, a 09/2016- CONSEPE, que traz adaptações ao Novo Regulamento da Pós-graduação Stricto Sensu da UFPB, aprovado em 2013, a Resolução 79/2013 do CONSEPE.